BALENCIAGA: CONHECENDO UM POUCO +


“Um costureiro deve ser um arquiteto no design, um escultor na forma, um pintor na cor, um músico na harmonia e um filósofo na medida”. Com esta frase o mestre da alta costura, Cristóbal Balenciaga definia a profissão em que reinou como um mito por muitos anos. Não por menos, a marca BALENCIAGA se transformou em um dos supra-sumos quando o assunto é moda de luxo. Tudo com uma elegância refinada.


HISTÓRIA

Nascido em 21 de janeiro de 1895 na pequena localidade de Getaria, na região basca da Espanha, Cristóbal Balenciaga Eizaguirre era filho de um pescador e de uma costureira. Quando jovem, foi apadrinhado pela marquesa de Casa Torrés, que lhe revelou o mundo da alta-costura e para qual desenhou o primeiro vestido ainda aos 12 anos de idade. Formou-se alfaiate e, em 1918, juntamente com Charlottee Lee, abriu seu primeiro ateliê na charmosa cidade de San Sebastian, no norte da Espanha, um verdadeiro reduto da aristocracia. Em seguida, inaugurou unidades em Madri e Barcelona, onde atendia a família real e membros da corte do país. Quando a Guerra Civil Espanhola começou, em 1936, o estilista se viu obrigado a fechar suas lojas e fugir do país, passando por Londres antes de estabelecer-se na França, país em que faria fama com seu jeito reservado, de poucas entrevistas e pouco contato com a imprensa, sendo um perfeito oposto-complementar de seu contemporâneo Christian Dior. Mas foi na “cidade luz” que Balenciaga marcaria para sempre a história da moda. Em agosto de 1937, quando ele inaugurou, juntamente com dois sócios, Nicolás Bizcarrondo e Wladzio Jaworowski, no número 10 da Avenida George V, a CASA BALENCIAGA, a França era permeada por um forte tema: o nacionalismo. A apresentação de sua primeira coleção foi acolhida com enorme sucesso pela imprensa e público. E rapidamente atraiu celebridades e damas da alta sociedade, que corriam para sua Maison em busca do corte e acabamento perfeitos do estilista.

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Nesta época a alta costura tinha nomes de todos os cantos do mundo. Por isso Elsa Schiaparelli, a rival de Coco Chanel, era a italiana; Edward Molyneux, o irlandês; Robert Piguet, o suíço; e Main Rousseau Bocher, o norte-americano. Obviamente, Balenciaga ficou conhecido como “o espanhol”. E não demorou muito para o estilista ser celebrado por todos os seus concorrentes como o ápice da perfeição na confecção. “A alta costura é como uma orquestra da qual apenas Balenciaga pode ser o maestro. Todo o resto de nós somos apenas músicos, seguindo as direções que ele nos dá”. A frase é de ninguém menos que Christian Dior e demonstra como o espanhol era visto dentro do mundo da moda. Outra de suas concorrentes, Coco Chanel, disse certa vez que o espanhol era “um verdadeiro costureiro, ele sim, sabia cortar tecidos e costurá-los com perfeição”. Todos os outros, incluindo a si própria, eram apenas desenhistas”.


O trabalho de Balenciaga tinha como referência a cultura e a história espanhola (como as dançarinas de flamenco, a cor vermelho intenso que fazia alusão a bandeira dos toureiros e azul turquesa para os vestidos de noite), além do trabalho de artistas como os pintores Diego Velázquez e Francisco Zurbarán. Sem falar nas prateleiras repletas de revistas de moda do século 19 em seu ateliê, das quais era capaz de reproduzir modelos linha por linha. As criações de Balenciaga combinavam essas influências com o que há de mais elaborado em corte e costura – era exímio e ambidestro no manejo das tesouras e das agulhas. O resultado foi um estilo único, caracterizado pela audácia de volumes, a pureza absoluta das linhas e o rigor arquitetônico. Suas roupas eram obras de arte, feitas sob medida, com caimento estruturado e tecidos da mais alta qualidade. Em 1939, lançou o corte de manga com aplicação de uma linha de ombros caídos e um recorte quadrado, com quadris arredondados e cintura estreita. No ano seguinte, criou seu primeiro vestidinho preto, com quadris marcados por drapeados, busto ajustado, além de abrigos impermeáveis feitos em tecidos sintéticos. Em 1942, as jaquetas largas e as saias evasês compunham a chamada “linha tonneau”, criada pelo estilista.

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Entre as coleções mais famosas do estilista está a de 1946, inspirada nas touradas espanholas, com boleros bordados. Foi também neste ano que o estilista lançou seu primeiro perfume chamado “Le Dix”. Pouco depois, em 1948, o estilista inaugurou sua primeira boutique e criou um segundo perfume (La fuite des heures). Mas, foi somente a partir do período pós-guerra que BALENCIAGA se tornou um estilista original e reconhecido. Em 1951, ele transformou totalmente a silhueta feminina alargando os ombros e removendo a cintura de suas criações. Em 1955, desenhou o vestido de túnica, que, mais tarde, virou o vestido chefies.

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Temporadas de desfiles sempre foram atração e prato cheio para as revistas de moda, mas Balenciaga arrumou, em 1956, um jeito diferente de lançar suas coleções: sempre depois das maratonas oficiais de desfiles. Assim, em vez de dividir as páginas com os outros estilistas, ganhava espaços maiores e exclusivos em revistas como Vogue e Harper’s Bazaar. Acabava só tendo de dividir as edições com o amigo francês Hubert de Givenchy, que resolveu fazer o mesmo. O costureiro proibia fotografias em seus desfiles: apenas a revista Vogue podia publicar algumas fotos das roupas, desde que pré-selecionadas pelo próprio Balenciaga. Em 1957, apresentou o vestido-camisa e o vestido-saco. Pouco depois, em 1958, ele criou um de seus maiores ícones: o vestido baby-doll. Além disso, apresentou para a noite, vestidos com “cauda de pavão”. Em 1959, seu trabalho se tornou um verdadeiro império, com vestidos de cintura alta e casacos cortados como quimonos. Nesta época lançou sua versão do terninho feminino, com paletó curto e saia de cintura alta. Já em 1963 sua linha de produtos foi ampliada com o lançamento de uma coleção de botas. Ainda nesta década, o estilista criou casacos amplos, soltos, com mangas morcegos.

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A década de 1960 trouxe mudanças radicais para a moda e o comportamento da sociedade. Balenciaga pela primeira vez sentia que suas coleções já não tinham a mesma força de antes. O próprio estilista achava impossível trabalhar com a linha Prét-à-Porter pelo acabamento perfeito de suas roupas e a qualidade dos tecidos. A aposentadoria dele em 1968, não antes de criar sua última coleção e os charmosos uniformes para aeromoças da companhia aérea Air France, e sua morte, no dia 24 de março de 1972, fizeram a grife BALENCIAGA cair no esquecimento por muitos anos. Primeiro, a casa foi controlada por um de seus sobrinhos e depois trocou de mãos mais algumas vezes durante as décadas de 1970 e 1980 sem obter sucesso.

Só em 1997, com a contratação do estilista francês Nicolas Ghesquière, é que a BALENCIAGA voltou a respirar o ar da alta costura e o topo do mundo da moda de luxo. O francês conseguiu trazer uma incrível modernidade à marca. Em 2001 a BALAENCIAGA foi comprada pelo tradicional grupo Gucci, que seria adquirido pelo conglomerado de luxo PPR (atual Kering Grouppe). Pouco depois, em 2003, ocorreu a reabertura da boutique da Avenida Georges V e a inauguração de uma moderna e sofisticada loja âncora em Nova York. No ano seguinte a marca lançou coleções prêt-à-porter e acessórios para homens. Essa coleção de peças foi inspirada nos arquivos de coleções de alta-costura de Cristóbal Balenciaga. Com o renascimento da marca, a BALENCIAGA faturou €17.9 milhões em 2006, provando que seu antigo potencial tinha sido resgatado. Nos anos seguintes a marca inaugurou novas lojas em cidades como Milão, Los Angeles, Londres e Cannes, além de duas unidades na China.


Nos últimos anos a BALENCIAGA foi responsável por criar e confeccionar os novos uniformes da companhia árabe de aviação Oman Air, além de lançar no mercado novos perfumes, como Balenciaga Paris, e uma coleção de jeans. Em dezembro de 2012, o americano (de pais de origem taiwanesa) Alexander Wang assumiu a diretoria criativa da marca, sendo responsável pelos designs da linha ready-to-wear e acessórios, além de ser a imagem da BALENCIAGA ao redor do mundo. Em 2014, sob o comando de Wang a marca lançou o perfume B. Já em 2015 foi inaugurada a primeira loja da grife na cidade de Madri e também na bela Florença. Atualmente, entre as criações de sucesso da tradicional grife, estão as bolsas “classic” (lançadas em 2000), de alças duplas, com zíper formando bolsos frontais ou diagonais e a placa de identificação de prata; as sandálias gladiador; os sapatos plataforma muito altos de alma fetichista ao extremo; além de casaquinhos e paletós de cintura marcada.

EVOLUÇÃO VISUAL

A identidade visual da marca passou por algumas alterações ao longo dos anos. Mais recentemente o logotipo perdeu a palavra Paris e ganhou uma tipografia de letra mais encorpada. O famoso símbolo do B duplo ainda continua a ser utilizado, especialmente nos produtos.

A MARCA NO MUNDO

Atualmente a exclusiva marca BALENCIAGA, comercializa suas coleções femininas e masculinas, além de sapatos, perfumes e acessórios, em uma restrita rede de 90 lojas próprias e através das mais chiques e badaladas lojas de departamento do mundo.

VOCÊ SABIA? 

● Entre as inovações de estilo atribuídas à Balenciaga estão: a manga-melão, os modelos de vestidos “saco”, túnica e baby-doll, além do chapéu-véu, criado em 1967 para acompanhar um de seus vestidos de noiva.

● Balenciaga também deu aulas de moda, inspirando outros estilistas como Oscar de la Renta, André Courrèges, Emanuel Ungaro e Hubert de Givenchy.

● Em 1968, uma cliente, a Condessa Mona Bismark, chegou a se trancar em casa por três dias de tanto desgosto ao saber da aposentadoria do arquiteto da moda. Entre as atuais clientes assíduas da marca BALENCIAGA estão celebridades como Nicole Kidman, Natalie Portman e Jennifer Connelly.

Fonte: Mundo das Marcas